A metade da laranja

Faltava uma parte em mim, e eu achava que essa parte era você.

Quem nunca achou que era metade de alguém? Quem nunca se sentiu uma laranja cortada ao meio? Ou uma panela sem tampa?

Meros mortais nós somos. Exceto aquelas pessoas que fingem não ter interesse, que só ligam se a outra pessoa liga, que não envia bom dia com medo da outra pessoa achar alguma coisa, enfim…

Eu só sentia que faltava, faltava algo, faltava alguém. 

Foi aí que te conheci, nessa fase aí, da falta, da minha completa incompletude que incompletamente me completei em você. O único problema foi que eu não sabia que você não ficaria. Você não ficaria para que eu me sentisse completa. Não mesmo. E eu também não te pediria isso, a menos que você por você mesmo resolvesse ficar.

Aquela parte que faltava, se completava quando você estava. Preenchia-me. Sobrava-me. Transbordava-me.

Até o dia que eu não tive mais sua parte para completar a minha. Foi aí que minha mais completa incompletude dissolveu diante de meus olhos, sem que minhas mãos pudessem segurar tudo o que eu achava que era ser completa.

Precisei me dezfazer, me desconstruir, para entender que não sou uma parte, sou inteira. 

Inteira de mim mesma. Inteira das minhas opiniões. Inteira dos meus sonhos. Inteira dos meus amores. Inteiramente inteira de mim, de mim mesma.

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