Som do silêncio

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Há momentos em que sentimos tanto que não conseguimos traduzir em palavras, as palavras gritam em nosso coração, bagunçam nossos sentimentos e nesse momento somente o silêncio se torna companheiro.

O silêncio é o som mais alto que eu já ouvi, é o grito da lembrança, o berro da saudade, a voz da ansiedade, a insegurança da alma. É como se todos pedissem socorro e eu não soubesse os socorrer.

Eles estão tão próximos aqui dentro, mas ao mesmo tempo tão longe, vivendo do passado ou ansiando pelo futuro, eles fogem do agora, porque o agora é dolorido demais, eles não querem sentir essa dor, eles já não a suportam mais, eles querem parar de gritar, mas no momento é só o que conseguem ser.

Aliás, é só o que eu consigo ser, é só o que eu consigo sentir, talvez a inação seja a melhor forma de acalmá-los, é o melhor jeito de dizer eu te compreendo, eu me compreendo, estou me ouvindo, me sentindo, me respeitando.
Chega de exigir demais de uma alma que só procura o silêncio para se acalmar, que só quer berrar até cansar, é só isso que eu preciso agora, sentir em silêncio até que todo esse peso escorra pelos meus olhos.

Sinto que quanto mais adiar esse momento, mais momentos vou perder por apenas não ouvir meus próprios gritos, não me dar o tempo necessário, por fazer mais barulho do que eu mesma somente para fugir do que é inevitável, a dor, a fuga não é a melhor saída.

Preciso acalmar essas vozes, preciso dizer que tudo ficará bem, preciso as ouvir, mesmo que custe lágrimas e solidão, preciso dizer isso em silêncio, porque não tenho palavras. Hoje só tenho o silêncio.

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