Os “ias”

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Poderíamos ter tomado mais vinho, poderíamos ter ido mais ao cinema, poderíamos ter ido a parques, poderíamos ter rido mais, poderíamos ter nos abraçado mais, poderíamos ter nos beijado mais, poderia ter observado mais o azul dos seus olhos, poderia ter ouvido mais sua voz…

Esses “ias” são tão doloridos, trazem a saudade do que poderia ter sido, a saudade de como estaríamos agora, a saudade da sua companhia, mesmo que não dissesse nada, seria como se sua respiração me acalmasse e sua presença me trouxesse paz.

Seria como se eu não precisasse escrever esse texto agora, seria como se eu não precisasse sentir essa dor, seria como se eu tivesse economizado alguns litros de lágrimas. Seria como se eu pudesse ver o azul do céu todos os dias em seus olhos, seria como se eu não tivesse que inventar estratégias para não pensar em você, seria como se eu não tivesse me tornado essa pessoa que nem eu mesma conheço.

Seria como se eu não precisasse escrever seria, mas escrevesse no presente, como se tudo isso fizesse parte do nosso cotidiano e eu só precisasse anotar os nossos inúmeros momentos de felicidade, ou talvez nem escrevesse, porque na verdade a escrita se tornou uma forma de organizar todos esses ias, e organizar meus pensamentos atuais, que na verdade nem eu mesma sei quais são.

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